Assembleia Legislativa do Acre · deputado estadual

A urna esvaziou, o voto encareceu

Em oito anos o Acre passou de 436 para 246 candidatos a deputado estadual, enquanto o eleitorado só cresceu. Veja o que isso fez com o preço de uma cadeira.

2018 e 2022: microdados oficiais do TSE 2026: TRE-AC e TSE, números de setembro Atualizado em 24/09/2026
O resumo

Em quatro frases

  1. O número de candidatos caiu duas vezes seguidas: 436 em 2018, 333 em 2022 e 246 agora em 2026. No mesmo período, o eleitorado cresceu 12%.

  2. Resultado: cada candidato de 2026 tem 2.499 eleitores pela frente — o dobro de 2018, quando eram 1.255. Menos gente dividindo o mesmo bolo, que ainda por cima cresceu.

  3. Quando a urna esvazia, a cadeira encarece. O último a se eleger precisou de 4.058 votos em 2018 e 5.520 em 2022. Pela mesma conta, em 2026 deve precisar de algo perto de 7.600.

  4. O que não muda é o formato: em 2018 e em 2022, os 10% mais votados ficaram com mais da metade de todos os votos, e a metade de baixo dividiu 4%.

Candidatos na urna
2462026
Eleitores para cada candidato
2.4992026
Candidatos por vaga (24 cadeiras)
10,32026
Votos do último eleito (2026 é estimativa)
~7.6002026
2026

O que já se sabe desta eleição

Duas coisas já estão definidas antes mesmo da votação: quantas pessoas podem votar e quantos nomes estão na urna. É disso que sai a conta principal desta página.

O Acre tem 614.631 eleitores aptos em 2026, segundo o TRE-AC, e 246 candidatos a deputado estadual na lista do TSE de hoje. No fechamento do registro, em agosto, eram 240 — o número ainda pode mudar até o dia da votação, por substituição ou decisão judicial.

Eleitores disponíveis para cada candidato
Eleitorado do Acre dividido pelo número de candidatos a deputado estadual.
2018 2022 2026
2018547.358 ÷ 436
1.255
2022587.222 ÷ 333
1.763
2026614.631 ÷ 246
2.499
O espaço por candidato dobrou em oito anos. Não é que o eleitor tenha mudado: é que há menos nomes disputando a atenção dele.
Os três ciclos lado a lado
 201820222026
Eleitores aptos547.358587.222614.631
Candidatos a deputado estadual436333246
Eleitores por candidato1.2551.7632.499
Candidatos por vaga18,213,910,3
Candidatos por 10 mil eleitores7,975,674,00

O que ainda não existe. A distribuição dos votos de 2026 — quem tirou quanto, onde ficou o corte, como a curva se desenhou — só vai existir depois da apuração de 4 de outubro. Tudo que esta página mostra sobre 2026 vem de dois números já conhecidos: eleitorado e número de candidatos.

A causa

Por que a urna foi esvaziando

De 2018 para 2022, foi mudança de regra. Até 2018, partidos podiam se juntar em coligação também na disputa de deputado, e cada grupo registrava uma lista grande. No Acre daquele ano foram 9 coligações com 317 nomes, mais 119 candidatos de partidos que correram sozinhos; a maior lista sozinha tinha 46 nomes. A Emenda Constitucional 97, de 2017, acabou com esse tipo de coligação a partir de 2020. Em 2022 cada partido teve que correr sozinho, com teto de 25 nomes — só três federações juntaram siglas (PT/PCdoB/PV, PSDB/Cidadania e PSOL/Rede). Foram 436 para 333.

De 2022 para 2026, não houve regra nova. A queda de 333 para 246 veio das próprias legendas, que registraram listas menores. O efeito aparece em todos os cargos: o TRE-AC registrou 370 candidaturas no Acre em 2026, 32% a menos que em 2022.

Em nenhum dos dois casos o número de cadeiras mudou. Continuam sendo 24 — o que muda é quanta gente disputa cada uma.

O efeito de 2018 para 2022

Quando a urna esvazia, a régua sobe inteira

Este é o trecho em que já temos as duas apurações completas. Compare os quatro marcos da disputa:

Os quatro marcos da disputa
Votos nominais recebidos por candidato. A barra vai de zero a 16.636 votos, o maior resultado dos dois anos.
2018 2022
Mais votado do estadoMeire Serafim → Nicolau Júnior
10.34916.636
+61%
Último a se eleger24º colocado em votos
4.0585.520
+36%
Candidato médiototal de votos ÷ nº de candidatos
8771.240
+41%
Candidato do meio da filaa mediana: metade fica acima, metade abaixo
217292
+35%
Os eleitores por candidato subiram 40% entre as duas eleições, e o corte do último eleito subiu 36%. É essa proporção que serve de base para a estimativa de 2026, no fim da página.
A distribuição

Onde os votos realmente foram parar

Separando os candidatos por faixa de votos, aparece o desenho da eleição: a maioria tira muito pouco e um grupo pequeno concentra quase tudo.

Em 2018, 145 candidatos (um terço da urna) não chegaram a 100 votos — juntos somaram 1,7% do total. Em 2022 foram 98 nessa situação, ou 29% da lista.

Do outro lado: em 2022, os 27 candidatos que passaram de 5.000 votos ficaram com 46% de tudo.

Candidatos e votos por faixa — quantos tiraram quanto
Faixa de votos Cand. 2018 % dos votos Cand. 2022 % dos votos
menos de 1001451,7%981,0%
100 a 4991479,5%975,6%
500 a 999509,4%437,2%
1.000 a 1.9993613,4%3010,4%
2.000 a 4.9994134,0%3829,5%
5.000 a 9.9991629,3%2539,7%
10.000 ou mais12,7%26,6%
Total436100%333100%
O que não mudou

A curva da disputa é a mesma

Imagine todos os candidatos em fila, do mais votado para o menos votado, e corte essa fila em dez pedaços iguais. Cada pedaço é um decil. O gráfico mostra quanto do total de votos cada pedaço levou.

As duas eleições desenham praticamente a mesma curva. Mudou o tamanho dos números, não o formato da disputa — e é por isso que dá para usar 2018 e 2022 como régua para 2026.

Quanto cada décimo da fila levou
Percentual do total de votos nominais do cargo. As barras estão na mesma escala nos dois anos.
2018 2022
1º décimoos 10% mais votados
56,7% 2018 52,9% 2022
2º décimo
20,8% 2018 23,3% 2022
3º décimo
9,3% 2018 10,9% 2022
4º décimo
5,4% 2018 5,7% 2022
5º décimo
3,2% 2018 3,2% 2022
6º décimocomeça a metade de baixo
2,0% 2018 1,8% 2022
7º décimo
1,3% 2018 1,1% 2022
8º décimo
0,8% 2018 0,6% 2022
9º décimo
0,4% 2018 0,3% 2022
10º décimoos 10% menos votados
0,1% 2018 0,1% 2022
Em 2018, 218 candidatos dividiram 4,6% dos votos. Em 2022, 167 candidatos dividiram 4,0%. É a mesma eleição, com menos gente na cauda.

Uma medida de concentração. O índice de Gini resume em um número o quanto os votos estão concentrados: 0 significaria todos os candidatos com a mesma votação, 1 significaria um único candidato levando tudo. O Acre foi de 0,727 em 2018 para 0,719 em 2022 — na prática, a mesma coisa.

Atenção

Três coisas que enganam quem olha só o ranking

01

Mais votado não é a mesma coisa que eleito

Em 2022, o 24º mais votado do estado ficou como suplente com 5.520 votos, enquanto o 25º e até o 30º se elegeram. O que garante a cadeira é o desempenho do partido ou da federação inteira, não a posição do candidato na lista geral.

02

Ninguém se elege sozinho

O quociente eleitoral de 2022 foi de 18.157 votos. O candidato mais votado do Acre fez 16.636 — ou seja, nem o primeiro colocado chegou lá sozinho. Em nenhum dos dois anos algum candidato atingiu o quociente por conta própria.

03

Repetir a votação é perder posição

O eleitorado cresceu 12% de 2018 para 2026, e o espaço por candidato dobrou. Quem repetir em 2026 o número de votos que fez antes encolheu em tamanho relativo, mesmo sem perder um voto sequer.

A estimativa

Quanto deve custar uma cadeira em 2026

A conta parte de uma proporção que já funcionou uma vez: entre 2018 e 2022, os eleitores por candidato subiram 40% e o corte do último eleito subiu 36% — quase junto, com um pequeno desconto.

De 2022 para 2026, os eleitores por candidato sobem 42% (de 1.763 para 2.499). Repetindo o mesmo desconto, essa alta vira cerca de 38% no corte: os 5.520 votos de 2022 viram por volta de 7.600 votos em 2026.

Como o número final de nomes na urna ainda pode mudar, vale ver a sensibilidade:

Estimativa do corte do último eleito, com 614.631 eleitores
Se a urna fechar comEleitores por candidatoCorte estimado
240 candidatos2.561~7.750 votos
246 candidatos (número de hoje)2.499~7.600 votos
260 candidatos2.364~7.200 votos

O que essa conta usa — e o que ela não usa. Ela usa duas coisas: o eleitorado e o número de candidatos. Ela não considera desempenho de partido, tamanho de federação, migração de votos entre municípios, abstenção maior ou menor, nem força de chapa. Qualquer um desses fatores pode mover o corte para cima ou para baixo.

Trate o número como ordem de grandeza, não como meta exata: a leitura correta é "o patamar de 2026 está perto de 7.600, não de 5.500". Quem planejar campanha com a régua de 2022 vai planejar pequeno demais.

Glossário

As palavras difíceis, em português claro

Voto nominal
O voto dado a um candidato, digitando o número dele na urna. É o que este levantamento distribui entre os candidatos.
Voto de legenda
Quando o eleitor digita só os dois números do partido. Conta para a sigla, não para nenhum candidato específico. Em 2018 foram 35.627 votos assim; em 2022, 24.656.
Quociente eleitoral
O total de votos válidos dividido pelas 24 cadeiras. É quanto um partido ou federação precisa somar para começar a eleger. Em 2018 foi 17.418; em 2022, 18.157.
Mediana
O valor que fica exatamente no meio da fila: metade dos candidatos tirou mais, metade tirou menos. Diferente da média, ela não é puxada para cima pelos poucos candidatos muito votados — por isso descreve melhor a situação do candidato comum.
Decil
Cada um dos dez pedaços iguais em que a fila de candidatos foi cortada, do mais votado ao menos votado.
Eleito por média
Depois de distribuir as cadeiras pelo quociente, sobram vagas. Elas vão para os partidos com a melhor média de votos por cadeira já conquistada — e é assim que um candidato com menos votos entra na frente de outro com mais.
A tabela completa

Todos os números lado a lado

Indicador201820222026
Eleitores aptos547.358587.222614.631
Comparecimento443.429 (81,0%)455.438 (77,6%)
Abstenção103.929131.784
Votos nominais (em candidatos)382.394413.000
Votos de legenda35.62724.656
Brancos7.4299.533
Nulos17.9798.249
Votos válidos418.021435.770
Quociente eleitoral17.41818.157
Candidatos na urna436333246
Partidos com candidatos30 (em 9 coligações)21 (em 3 federações)
Eleitores por candidato1.2551.7632.499
Média de votos por candidato8771.240
Mediana de votos217292
Candidatos com menos de 100 votos145 (33,3%)98 (29,4%)
Candidatos com zero voto52
Votos do mais votado10.34916.636
Votos do 24º mais votado4.0585.520~7.600 (estimativa)
Soma dos 24 eleitos142.524 (37,3%)172.596 (41,8%)
Índice de Gini dos votos0,7270,719
Método

De onde vêm os números

2018 e 2022 vêm dos microdados oficiais do TSE, no portal de dados abertos, para o estado do Acre: o arquivo de candidatos (consulta_cand), o de votação por município e zona (votacao_candidato_munzona) e o de comparecimento e abstenção (detalhe_votacao_munzona). Só entram o 1º turno e o cargo de deputado estadual. "Candidatos na urna" são os nomes que tiveram voto apurado — 436 em 2018 e 333 em 2022. Conferência: os totais de 2022 batem número a número com a API oficial de resultados do TSE (587.222 eleitores, 455.438 votantes, 24.656 votos de legenda).

2026 ainda não tem microdados de votação, por motivo óbvio. O eleitorado de 614.631 é do TRE-AC. O número de 246 candidatos é a contagem do TSE publicada em 24/09/2026; no fechamento do registro, em 17/08, o TRE-AC informava 240 candidatos a deputado estadual dentro de 370 candidaturas em todos os cargos. Diferenças entre as duas contagens são normais: entram substituições e candidaturas que ainda aguardam julgamento.

Esses números serão substituídos pelos microdados oficiais assim que o TSE publicar o resultado de 2026, e a estimativa de corte será trocada pelo número real.