Em quatro frases
O número de candidatos caiu duas vezes seguidas: 436 em 2018, 333 em 2022 e 246 agora em 2026. No mesmo período, o eleitorado cresceu 12%.
Resultado: cada candidato de 2026 tem 2.499 eleitores pela frente — o dobro de 2018, quando eram 1.255. Menos gente dividindo o mesmo bolo, que ainda por cima cresceu.
Quando a urna esvazia, a cadeira encarece. O último a se eleger precisou de 4.058 votos em 2018 e 5.520 em 2022. Pela mesma conta, em 2026 deve precisar de algo perto de 7.600.
O que não muda é o formato: em 2018 e em 2022, os 10% mais votados ficaram com mais da metade de todos os votos, e a metade de baixo dividiu 4%.
O que já se sabe desta eleição
Duas coisas já estão definidas antes mesmo da votação: quantas pessoas podem votar e quantos nomes estão na urna. É disso que sai a conta principal desta página.
O Acre tem 614.631 eleitores aptos em 2026, segundo o TRE-AC, e 246 candidatos a deputado estadual na lista do TSE de hoje. No fechamento do registro, em agosto, eram 240 — o número ainda pode mudar até o dia da votação, por substituição ou decisão judicial.
| 2018 | 2022 | 2026 | |
|---|---|---|---|
| Eleitores aptos | 547.358 | 587.222 | 614.631 |
| Candidatos a deputado estadual | 436 | 333 | 246 |
| Eleitores por candidato | 1.255 | 1.763 | 2.499 |
| Candidatos por vaga | 18,2 | 13,9 | 10,3 |
| Candidatos por 10 mil eleitores | 7,97 | 5,67 | 4,00 |
O que ainda não existe. A distribuição dos votos de 2026 — quem tirou quanto, onde ficou o corte, como a curva se desenhou — só vai existir depois da apuração de 4 de outubro. Tudo que esta página mostra sobre 2026 vem de dois números já conhecidos: eleitorado e número de candidatos.
Por que a urna foi esvaziando
De 2018 para 2022, foi mudança de regra. Até 2018, partidos podiam se juntar em coligação também na disputa de deputado, e cada grupo registrava uma lista grande. No Acre daquele ano foram 9 coligações com 317 nomes, mais 119 candidatos de partidos que correram sozinhos; a maior lista sozinha tinha 46 nomes. A Emenda Constitucional 97, de 2017, acabou com esse tipo de coligação a partir de 2020. Em 2022 cada partido teve que correr sozinho, com teto de 25 nomes — só três federações juntaram siglas (PT/PCdoB/PV, PSDB/Cidadania e PSOL/Rede). Foram 436 para 333.
De 2022 para 2026, não houve regra nova. A queda de 333 para 246 veio das próprias legendas, que registraram listas menores. O efeito aparece em todos os cargos: o TRE-AC registrou 370 candidaturas no Acre em 2026, 32% a menos que em 2022.
Em nenhum dos dois casos o número de cadeiras mudou. Continuam sendo 24 — o que muda é quanta gente disputa cada uma.
Quando a urna esvazia, a régua sobe inteira
Este é o trecho em que já temos as duas apurações completas. Compare os quatro marcos da disputa:
+61%
+36%
+41%
+35%
Onde os votos realmente foram parar
Separando os candidatos por faixa de votos, aparece o desenho da eleição: a maioria tira muito pouco e um grupo pequeno concentra quase tudo.
Em 2018, 145 candidatos (um terço da urna) não chegaram a 100 votos — juntos somaram 1,7% do total. Em 2022 foram 98 nessa situação, ou 29% da lista.
Do outro lado: em 2022, os 27 candidatos que passaram de 5.000 votos ficaram com 46% de tudo.
| Faixa de votos | Cand. 2018 | % dos votos | Cand. 2022 | % dos votos |
|---|---|---|---|---|
| menos de 100 | 145 | 1,7% | 98 | 1,0% |
| 100 a 499 | 147 | 9,5% | 97 | 5,6% |
| 500 a 999 | 50 | 9,4% | 43 | 7,2% |
| 1.000 a 1.999 | 36 | 13,4% | 30 | 10,4% |
| 2.000 a 4.999 | 41 | 34,0% | 38 | 29,5% |
| 5.000 a 9.999 | 16 | 29,3% | 25 | 39,7% |
| 10.000 ou mais | 1 | 2,7% | 2 | 6,6% |
| Total | 436 | 100% | 333 | 100% |
A curva da disputa é a mesma
Imagine todos os candidatos em fila, do mais votado para o menos votado, e corte essa fila em dez pedaços iguais. Cada pedaço é um decil. O gráfico mostra quanto do total de votos cada pedaço levou.
As duas eleições desenham praticamente a mesma curva. Mudou o tamanho dos números, não o formato da disputa — e é por isso que dá para usar 2018 e 2022 como régua para 2026.
Uma medida de concentração. O índice de Gini resume em um número o quanto os votos estão concentrados: 0 significaria todos os candidatos com a mesma votação, 1 significaria um único candidato levando tudo. O Acre foi de 0,727 em 2018 para 0,719 em 2022 — na prática, a mesma coisa.
Três coisas que enganam quem olha só o ranking
Mais votado não é a mesma coisa que eleito
Em 2022, o 24º mais votado do estado ficou como suplente com 5.520 votos, enquanto o 25º e até o 30º se elegeram. O que garante a cadeira é o desempenho do partido ou da federação inteira, não a posição do candidato na lista geral.
Ninguém se elege sozinho
O quociente eleitoral de 2022 foi de 18.157 votos. O candidato mais votado do Acre fez 16.636 — ou seja, nem o primeiro colocado chegou lá sozinho. Em nenhum dos dois anos algum candidato atingiu o quociente por conta própria.
Repetir a votação é perder posição
O eleitorado cresceu 12% de 2018 para 2026, e o espaço por candidato dobrou. Quem repetir em 2026 o número de votos que fez antes encolheu em tamanho relativo, mesmo sem perder um voto sequer.
Quanto deve custar uma cadeira em 2026
A conta parte de uma proporção que já funcionou uma vez: entre 2018 e 2022, os eleitores por candidato subiram 40% e o corte do último eleito subiu 36% — quase junto, com um pequeno desconto.
De 2022 para 2026, os eleitores por candidato sobem 42% (de 1.763 para 2.499). Repetindo o mesmo desconto, essa alta vira cerca de 38% no corte: os 5.520 votos de 2022 viram por volta de 7.600 votos em 2026.
Como o número final de nomes na urna ainda pode mudar, vale ver a sensibilidade:
| Se a urna fechar com | Eleitores por candidato | Corte estimado |
|---|---|---|
| 240 candidatos | 2.561 | ~7.750 votos |
| 246 candidatos (número de hoje) | 2.499 | ~7.600 votos |
| 260 candidatos | 2.364 | ~7.200 votos |
O que essa conta usa — e o que ela não usa. Ela usa duas coisas: o eleitorado e o número de candidatos. Ela não considera desempenho de partido, tamanho de federação, migração de votos entre municípios, abstenção maior ou menor, nem força de chapa. Qualquer um desses fatores pode mover o corte para cima ou para baixo.
Trate o número como ordem de grandeza, não como meta exata: a leitura correta é "o patamar de 2026 está perto de 7.600, não de 5.500". Quem planejar campanha com a régua de 2022 vai planejar pequeno demais.
As palavras difíceis, em português claro
- Voto nominal
- O voto dado a um candidato, digitando o número dele na urna. É o que este levantamento distribui entre os candidatos.
- Voto de legenda
- Quando o eleitor digita só os dois números do partido. Conta para a sigla, não para nenhum candidato específico. Em 2018 foram 35.627 votos assim; em 2022, 24.656.
- Quociente eleitoral
- O total de votos válidos dividido pelas 24 cadeiras. É quanto um partido ou federação precisa somar para começar a eleger. Em 2018 foi 17.418; em 2022, 18.157.
- Mediana
- O valor que fica exatamente no meio da fila: metade dos candidatos tirou mais, metade tirou menos. Diferente da média, ela não é puxada para cima pelos poucos candidatos muito votados — por isso descreve melhor a situação do candidato comum.
- Decil
- Cada um dos dez pedaços iguais em que a fila de candidatos foi cortada, do mais votado ao menos votado.
- Eleito por média
- Depois de distribuir as cadeiras pelo quociente, sobram vagas. Elas vão para os partidos com a melhor média de votos por cadeira já conquistada — e é assim que um candidato com menos votos entra na frente de outro com mais.
Todos os números lado a lado
| Indicador | 2018 | 2022 | 2026 |
|---|---|---|---|
| Eleitores aptos | 547.358 | 587.222 | 614.631 |
| Comparecimento | 443.429 (81,0%) | 455.438 (77,6%) | — |
| Abstenção | 103.929 | 131.784 | — |
| Votos nominais (em candidatos) | 382.394 | 413.000 | — |
| Votos de legenda | 35.627 | 24.656 | — |
| Brancos | 7.429 | 9.533 | — |
| Nulos | 17.979 | 8.249 | — |
| Votos válidos | 418.021 | 435.770 | — |
| Quociente eleitoral | 17.418 | 18.157 | — |
| Candidatos na urna | 436 | 333 | 246 |
| Partidos com candidatos | 30 (em 9 coligações) | 21 (em 3 federações) | — |
| Eleitores por candidato | 1.255 | 1.763 | 2.499 |
| Média de votos por candidato | 877 | 1.240 | — |
| Mediana de votos | 217 | 292 | — |
| Candidatos com menos de 100 votos | 145 (33,3%) | 98 (29,4%) | — |
| Candidatos com zero voto | 5 | 2 | — |
| Votos do mais votado | 10.349 | 16.636 | — |
| Votos do 24º mais votado | 4.058 | 5.520 | ~7.600 (estimativa) |
| Soma dos 24 eleitos | 142.524 (37,3%) | 172.596 (41,8%) | — |
| Índice de Gini dos votos | 0,727 | 0,719 | — |
De onde vêm os números
2018 e 2022 vêm dos microdados oficiais do TSE, no portal de dados abertos, para o estado do Acre: o arquivo de candidatos (consulta_cand), o de votação por município e zona (votacao_candidato_munzona) e o de comparecimento e abstenção (detalhe_votacao_munzona). Só entram o 1º turno e o cargo de deputado estadual. "Candidatos na urna" são os nomes que tiveram voto apurado — 436 em 2018 e 333 em 2022. Conferência: os totais de 2022 batem número a número com a API oficial de resultados do TSE (587.222 eleitores, 455.438 votantes, 24.656 votos de legenda).
2026 ainda não tem microdados de votação, por motivo óbvio. O eleitorado de 614.631 é do TRE-AC. O número de 246 candidatos é a contagem do TSE publicada em 24/09/2026; no fechamento do registro, em 17/08, o TRE-AC informava 240 candidatos a deputado estadual dentro de 370 candidaturas em todos os cargos. Diferenças entre as duas contagens são normais: entram substituições e candidaturas que ainda aguardam julgamento.
Esses números serão substituídos pelos microdados oficiais assim que o TSE publicar o resultado de 2026, e a estimativa de corte será trocada pelo número real.